segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Dourada à chumbadinha


Boas,
Que saudades tinha eu destas amigas, já não as via à algum tempo e como gosto tanto delas pensava que já me tinham abandonado ou até traído.
É muito gratificante apanhar uma destas, faz bem ao ego de qualquer um e neste dia teve de facto um sabor especial.
A verdade é que tenho andado à procura das douradas cá dentro do Sado, mas elas têm fugido de mim ou melhor ainda, não consigo dar com elas, talvez a falta de experiência, falta de saber, falta de sorte, enfim vá-se lá saber as faltas todas que faz apanhar uma bicha destas.
Esta tem um sabor especial pois foi a primeira apanhada à chumbadinha, técnica que ainda não domino e que poucas vezes pratiquei, mas neste dia deu frutos em comparação com a pesca de fundo que pratico habitualmente.
Mas vamos começar pelo inicio.
Foi uma pescaria combinada com o amigo Gonçalo, a maré iria começar a encher por volta das sete e meia da manha pelo que decidi ir pela primeira vez de noite de forma a poder começar a pesca logo com o raiar do dia apanhando assim a maré na enchente sendo que até agora tem sido aquela que mais capturas me tem dado.
Logo aqui foi uma novidade, ia navegar de noite coisa que ainda só tinha feito no meu exame de patrão local mas como o vento estava calmo decidi que seria hoje a minha primeira navegação nocturna no Rebolo.
Por volta das cinco da manha já estava dentro de agua, contemplando esta bela terra pelas suas luzes nocturnas e por este rio Sado que parecia mais um lago reflectindo por completo as luzes nas suas aguas calmas.



Durante a minha viagem até aos cabeços de Troia e seguindo sempre a uma velocidade moderada lá iniciei um corrico com uma amostra semi-afundante e já perto dos cabeços sinto o drag do carreto a disparar e pensei para mim " tu queres ver que apanhei um robalote ou uma baila" mas não, tinha sido uma gaivota que se prendeu no multifilamento e que só se desprendeu já bem perto da embarcação, coitada veio de arrasto pela asa mas lá se safou sem qualquer problema, se tivesse sido na amostra seria bem pior.
Depois já nos cabeços sinto o drag a disparar novamente, mas falso alarme, eram  algas e mais algas presas à amostra que foram percorrendo o fio durante o corrico.
Recolhida a amostra era tempo de rumar lá para fora ao meu quintal em busca das ditas Douradas no local onde habitualmente por esta altura a coisa nunca me falhou, à sempre a primeira vez mas ainda não foi desta.
O facto da minha embarcação ser classe 5 limita-me em parte os locais a explorar e por isso tenho de ficar como lhe chamo habitualmente no meu quintal.
Durante este verão fui duas vezes a este local e peixe nem um conforme já referi num post anterior.
Chegado ao local vai de sondar e os meus olhos não poderiam estar mais radiantes. Exactamente no mesmo local  marcado no gps dos anos anteriores onde tinha feito algumas capturas lá estava aquela bela marcação logo a seguir a uns entralhados formando uma bela mancha agarrada ao fundo com laranjas e amarelos em forma de cogumelo gigante.
Vai de preparar o material e iscas já com o sol a nascer e a vontade de tentar dar com elas a crescer cada vez mais.
O Gonçalo estava cansado e resolveu descansar um pouco, tendo iniciado a pesca sozinho sempre com a sardinha a comandar as operações.
A ondulação estava alta e espaçada o que fazia com que a cana oscila-se mais de dois metros não tornando a pesca fácil de se sentir o picar do que quer que fosse. A aguagem estava forte o que dificultava ainda mais o sentir de qualquer toque.
Rapidamente as iscas desapareciam pensando eu que poderiam ser os carapaus  que andavam por ali, pois tinha ouvido dizer que andava muito carapau lá fora. Foi uma primeira hora de grande desgaste descendo e subindo rapidamente as pescas e trocando rapidamente as iscas de forma a fazer o pesqueiro coisa que não é fácil de se fazer a solo só com uma cana.
O primeiro exemplar foi um safio, depois outro e seguido de um polvo, um ou outro carapau e depois vai de começar com o caranguejo intercalado com a sardinha.
Foi aqui que apareceu a primeira dourada e pensei para comigo "o melhor é meter outra cana e tentar a chumbadinha "pois a corrente estava forte, a aguagem também e a ondulação não deixava sentir grande coisa.
Foi sem duvida uma decisão acertada, chumbadinha de 90 gramas com iscadas de sardinha inteira sem cabeça e rabo, cozidas com o estralho de cerca de metro e meio e um anzol 5/0. Fazia lançamentos pelo través da embarcação e deixava a cana no porta canas da proa com o drag quase todo aberto à espera de ouvir  a embraiagem trabalhar.
Pouco tempo depois lá senti a embraiagem a dar de si, fecho a mesma ferro alto e mais um safio, nisto a outra cana com caranguejo e sardinha dava pequenos toques e não conseguia ferrar nada.
Vai de nova iscada de sardinha na cana da chumbadinha e novo lançamento, uns minutos depois lá sinto a embraiagem novamente a dar de si, fecho a mesma nova ferragem e mais um polvo, nova iscada de sardinha desta vez ainda maior e mais gorda uns minutos depois sinto a embraiagem do carreto a disparar fechei o drag e perdi não sei o quê pois foi em direcção ao cabo da fateixa e partiu a linha.
Paciência só contam os que entram cá dentro mas deveria ser um belo dum bicho certamente.
Vai de mudar montagem, nova iscada grande de sardinha inteira e pouco depois começou a minha bela luta com a menina da foto de entrada um belo exemplar que me trouxe belas recordações do passado e que me fez relembrar as cabeçadas inconfundíveis e o gozo que dá trabalhar e ver chegar perto da embarcação aquela mancha prateada que me fez gritar e acordar o Gonçalo a pedir a sua ajuda pelo chalavar para não perder esta menina.



Estava feito o meu dia, já não precisava de mais nada, a felicidade percorria a minha alma e sentia-me realizado por ter conseguido capturar este belo exemplar. Não foi a maior que já apanhei mas só o facto de ter testado outro método de pesca e o mesmo ter resultado era para mim uma satisfação e uma grande alegria. Mais uma vez este local não me falhou e certamente que a coisa poderia ter sido diferente caso o pesqueiro tivesse sido trabalhado pelos dois e não a solo, mas melhores dias virão.
Sei que caso utiliza-se anzóis mais pequenos teria a arca cheia de peixe, mas foi algo que resolvi mudar à alguns tempos atrás, dá-me mais gozo apanhar um ou dois exemplares destes do que trazer uma arca cheia de peixe, é uma questão de forma como dizia um conhecido meu, cada um com a sua forma o que importa é a satisfação que sentimos e como a sentimos para nos completar enquanto pescadores. Não me considero melhor ou pior daqueles pescadores que gostam de trazer grandes tecas de peixe, sou diferente e sinto-me satisfeito com este tipo de pesca penso que é uma questão de mentalidade e conforme referi de satisfação por aquilo que faço.
Não fiz video completo da pescaria pois trabalhar com as duas canas já me dificultou mais a vida quanto mais ainda filmar, mas deixo um pequeno video da navegação nocturna e de algumas capturas.
Até breve e de preferência de vara na mão.


5 comentários:

Manuel Oliveira disse...

Já tinhas saudades... :)
Pelo menos mataste bem o vício, parabéns pelas capturas!
E por pouco era um robalão com cheirinho a gaivota... LOL

Abraço e força ai

Rebolo disse...

Boas Manuel,
Já tinha mesmo saudades é verdade o robalão ainda não me calhou pode ser que apareça mais dia menos dia lol
abraço

Ernesto Lima disse...

Parabéns Tiago!

Excelente exemplar e muito bom relato.

Forte abraço

Ibraim Santos Serrão Serrão disse...

Já era tempo,
Ao fim e ao cabo é como andar de bicicleta, nunca se esquece.
Temos é de ir lá, onde Elas andam.

Grande Abraço

Ibraim

Rebolo disse...

Obrigado Ernesto Lima, a ver vamos se ela continuam por lá, forte abraço.

Caro Ibraim, já não falamos à algum tempo espero que esteja tudo bem contigo, como vão essas pescarias ai por Sines, espero que bem, vai dando novidades forte abraço.